Combinações

















Combinações, 2009 - 2010.
Video animação e montagem de 256 peças de 20 x 20 cm.

  

COMBINAÇÕES é um trabalho composto de uma animação de 30 min e um painel onde são dispostas 256 figuras, revelando quadro a quadro, sua estrutura de montagem. Baseia-se na idéia do movimento das imagens.
A obra propõe o seguinte enunciado:
Passo 1: Inserir um desenho assimétrico dentro de um quadrado (denominar: unidade).
Passo 2: Multiplicar a unidade x 4. Girá-las em movimentos de 90, 180, 270 e 360 graus, tornando-as 4 unidades diferentes. Agrupá-las, formando um quadrado (denominar: figura).
Passo 3: À partir da figura obtida, girar suas unidades, em movimentos de 90, 180, 270 e 360 graus, gerando todas as novas figuras possíveis, sem repetição.
As palavras ativam a imaginação para diversas formas de apresentação. A minha foi apenas uma possibilidade.
Uma figura simples, submetida às ações propostas, resulta em uma série de novas figuras, como meio para sua resolução. A animação contém todas imagens obtidas, dispostas em lento movimento, sem inicio ou fim. O trabalho que gira, se altera, se repete, mas não vai a parte alguma. É tempo presente. Propõe uma percepção ativa por parte de seu expectador, que poderá fazer qualquer leitura. Não para se descobrir o método sistemático aplicado, pois ele é serial e simples. A idéia de que nos intervalos entre as imagens, sobre um tempo a mais para pensar sobre as próprias combinações, ou quem sabe, em outras possibilidades.
Venho me questionando em relação a este trabalho, e ainda uma série de perguntas se mantém abertas, o porquê do serialismo que aplico. Seria um ritual obsessivo cobrindo um abismo de irracionalidade? O serial é a idéia do absurdo?
É um trabalho que ao primeiro momento parece vincular-se à lógica. Mas encontro profunda ligação com a abstração, mais desprendida da matéria, mais idealista. A forma que pode transportar idéias, como metáforas. Entendo assim que trata-se da intangibilidade da arte. A arte como sendo a busca errante da ordem pela própria ordem.
A matemática já foi muito utilizada como meio na arte, mas não é uma tese que busquei. Não realizei uma prova, uma explanação gráfica de algum sistema. Foi o jogo, o desenrolar do processo em si que mais me interessou. A obra COMBINAÇÕES foi uma hipótese realizada. Representa materialmente uma idéia, separada de uma finalidade funcional. Para mim, absolutamente abstrata.
Karen Axelrud
2010

COMBINATION is an art work consisting of a 30 minutes animation and a large panel where 256 figures are placed, showing frame by frame its built-in structure. It’s based on the idea of image movement. The work presents the following proposition
Step 1: Insert an asymmetrical drawing inside a square (name it unit).
Step 2: Multiply the unit by 4. Turn them in movements 90, 180, 270 and 360 degrees, so that they become 4 different units. Make it a group, form a square (name it figure).
Step 3: From the obtained figure, turn it’s figures in movements 90, 180, 270 and 360 degrees, developing all new possible figures with no repetition.
Words activate imagination to different forms of presentation. Mine was a possibility.
One simple figure, submitted to the proposed actions, results in a series of new figures, as a way to its resolution. The animation shows all images obtained, arranged in slow motion – no beginning or end. The work turns, modifies, repeats itself, but goes nowhere. It’s present time. Suggests that there is an active perception from the viewer, who can do any kind of interpretation. It’s not the intent to discover the method itself, because it’s serial and simple. The main idea is inside the gap between the images. It could spare time to think about the combination itself, or maybe in other new possibilities.
I’m questioning myself about this work and lots of questions are still around – why do I apply serialism? It’s an obsessed ritual covering irrational abysm? Is the serial an idea of the absurd?
In first place this work can be related to logic thoughts. But I found a profound connection to the abstraction, idealist, detach from the material world. Forms can take ideas, like metaphors. It’s intangibleness of art, that’s looking forward the order itself.
Mathematics has extended use in art, but it’s not a thesis I’m looking after. It’s not a prove, or graphic explanation of any system. The game, the process development themselves were more interesting. The work COMBINATION was a hypothesis putted into practice. It represents materially an idea, separated of a functional purpose. For me, it’s absolutely abstraction.