Entretempos

    

Exposição na ESPM, rua Guilherme Schell, 268
Porto Alegre, RS 
Visitação de 13 de junho a 19 de agosto de 2013
Horário
Segunda a sexta das 8h às 22h
Sábado das 9h às 15h  



Em Entretempos apresento trabalhos realizados em períodos de produção diários e sequenciais, desenvolvidos entre 2009 e 2013. Vêm da inquietação com convenções, do desejo de rearranjar o que está ao redor, e transforma-se em energia para pensar em novas possibilidades.
Através de sistemas, determino processos e ações que se repetem no dia a dia, estabeleço um ritmo de trabalho com o que se encontra próximo. São fotografias, desenhos, pinturas e coleta de frases, de forma que sua prática se insira no cotidiano. São obras que acabam se prolongando no tempo.
Seguindo o caminho das estruturas repetitivas, iniciei um percurso de investigação sobre a grade no campo da arte. Desde então, tem funcionado como imã à produção, trazendo um lado lógico de linguagem e fazendo um elo de ligação entre geometria e abstração.
Conceitualmente a grade é um elemento sem bordas, que pode se repetir infinitamente para qualquer um de seus lados. Deparo-me com uma duplicidade de significados. A primeira visão reside na síntese do elemento matemático, geometrizado, e a segunda, nos aspectos filosóficos e conceituais. Pode ser vista como um meio regulador e modelador, mas pode gerar outros níveis de interpretação, não somente ordem e elementos formais. Há também uma dimensão sensível, partindo de sua experimentação e percepção. Incorporo as duas situações, como polos, sem fazer uma opção. Utilizo a grade como meio de representação, como elemento estruturador nos trabalhos, e na forma de repetição de cada gesto a prosseguir. Contudo, mesmo propondo sistemas repetitivos, me defronto com diferenças.
Escolho os sistemas, sigo as proposições. Ao final, as regras se dissolvem, e levam a descobrir outros caminhos de investigação. As obras estão conectadas pela utilização da geometria, que convive entre questões poéticas como o infinito, a repetição com diferença e os registros do tempo.
Interessam as possibilidades de combinações, o movimento das imagens, a variação das cores do céu, as diferentes percepções sobre os dias, as horas, o tempo passando. Experimentos que levo para a pintura, feitas para um período mais duradouro, sem pressa no fazer e no observar. As grades em seu desdobramento não seguem uma regra definida. Demandam um certo tempo para olhar, não são imediatas, não são rápidas de desvendar, já não têm uma resposta a uma proposição.


Karen Axelrud
2013


The works I present in Entretempos were done in periods of daily and sequencial production, developed between 2009 and 2013. They come from the discomfort about conventions, from the desire to rearrange what is around. It turns into energy to think about new possibilities.
I determine the processes and actions that are repeated on a daily basis. Through systems, I establish a rhythm to work with what I find around me. I do photographs, drawings, paintings and collect phrases. 
This practice gets into everyday life. The art work ends up extending the time.
Following the way on repetitive structures, I began a research about grid in the art field. Since then, it has worked as a magnet to my production, bringing logical language and making a link between geometry and abstraction.
As a concept the grid is an element without edges, which can be repeated infinitely to any side. I found myself faced to a double meaning. The first view is the synthesis of mathematical element, geometrized, and the second, philosophical and conceptual. It can be seen in a regulated and shaped way, but it can be taken to other interpretation, not only order and formal elements . There is also a sensible dimension, from experimentation and perception. I incorporate both of them, as poles, without making an option. I use the grid as a path for representation, as a structuring element, and on the way to repeat each gesture, to continue it on and on. However, even proposing repetitive systems, I face differences.
I choose systems, I follow the propositions  and at the end, the rules dissolves. The works are connected by geometry, and stands between poetic issues such as infinite, repetition with difference and time record.

What maters are the possibilities of combinations, the movement of the images, the variation of the colors of the sky, the different perceptions of the days, the hours, the time passing. Experiments that I take to painting, for longer lasting, no hurry in doing and watching it. The grids in its deployment does not follow a set rule . They require some time to look, they are not immediate, are not quick to unvail, no longer has an answer to a proposition.