MATRIZ

LINHA ORGÂNICA

L.O 1, 2015.
Gravura em metal.
26 x 17,83 cm.
Tiragem 8.
L.O 2, 2015.
Gravura em metal.
26 x 17,83 cm.
Tiragem 8.
L.O 3, 2015.
Gravura em metal.
26 x 17,83 cm.
Tiragem 8.
L.O 4, 2015.
Gravura em metal.
26 x 17,83 cm.
Tiragem 8.
L.O 5, 2015.
Gravura em metal.
26 x 17,83 cm.
Tiragem 8.
L.O 6, 2015.
Gravura em metal.
26 x 17,83 cm.
Tiragem 8.
L.O 7, 2015.
Gravura em metal.
26 x 35,66 cm.
Tiragem 8.


MATRIZ

O que quer e o que pode a gravura
Diante de uma obra de arte, a pergunta costuma ser estimulante: de que se trata? Sobre o que é? O que está em jogo? 

A resposta, obviamente, nada terá nada de unívoca ou definitiva, será sempre parcial e provisória. Com alguma sorte, há de aclarar um aspecto ou outro.

A questão retorna, agora, diante da série de gravuras em metal que Karen Axelrud (Porto Alegre, 1965) traz a público pela primeira vez. 

A artista é conhecida sobretudo pelas suas pinturas de cuidadosa composição geométrica: a sobreposição de cores e linhas sugerindo profundidade e movimento, os planos se articulando com elaboração e elegância, as partituras e as melodias visuais que elas definem cadenciando o jogo entre contemplação e devaneio. Karen prefere dessa vez uma paleta mais restrita e uma dimensão mais concentrada. São gravuras – sobre papel – para se olhar bem de perto e sem pressa. O assunto, no entanto, parece que persiste: esses trabalhos tratam ainda de precisão e fortaleza, regularidade e exatidão. Tudo se constrói de modo justo e bem pensado. Pequenos módulos se associam com rigor e austeridade. 

As diferentes imagens e os ensaios que se desdobram uns dos outros, dentro da série maior de gravuras, evocam uma sedução muito própria da matemática: a beleza, a qualidade, a distinção daquilo que se ergue com ciência e engenho. Há síntese, depuração e excelência. O assunto, reconheçamos, é bonito.

Ocorre que, desta feita, a economia de meios e extensões parece convocar uma lembrança suprematista: preto sobre branco, preto sobre preto, branco sobre branco, plano com plano, contornos com contornos. Essa combinação à Malevich dá pistas, talvez, de uma dimensão espiritual da geometria – e da própria arte. 

Mas talvez exista um tópico ainda mais interessante, que nem se desvincula muito desses primeiros. Essas gravuras tratam, quem sabe, de experimentação, ou, ainda mais do que isso, elas comentam como a experimentação, o ensaio e a indagação sobre o que oferece uma linguagem podem conduzir essa linguagem a seus próprios limites, ou além deles. Se a gravura depende de uma matriz, o que acontece quando essa matriz independe de tinta? O que se passa quando a matriz transfere apenas seu volume e sua espessura para o papel? E se a matriz, coberta de tinta, não contiver um desenho para matizar, nenhum desenho além do próprio plano e de seu contorno? Ou ainda: e se a matriz, coberta de tinta mais uma vez, começar a reincidir sobre sua própria mancha?

Karen Axelrud testa nessas pequenas séries o que quer e o que pode a gravura em metal. Há limites nessa expansão? Até quando a gravura resiste como gravura? Talvez seja a consciência de si o que está em jogo. 
Eduardo Veras
Professor do Instituto de Artes da UFRGS
Porto Alegre, 2016

What the engraving wants and can accomplish?
Facing a work of art, the questioning is often stimulating: What is it? What is it about? What is at stake?
The answer, obviously, will have nothing of univocal or definitive, it will always be partial and temporary. With luck, it will be possible to clarify one aspect or another.
The questioning returns now, in front of the series of metal engraving that Karen Axelrud (Porto Alegre, 1965) brings to the public for the first time.
The artist is best known for her paintings of careful geometric composition: the superimposition of color and lines suggesting depth and movement, the planes being articulated with design and elegance, the music staff and the visual melodies that they define, syncopating the game between contemplation and reverie. Karen prefers, at this time, a more restricted palette and a more concentrated scale. These are engraving, on paper, to look closely and unhurried. The subject, however, seems to persist: these works deals with precision and strength, regularity and accuracy. Everything is built in a fair way and well thought. Small modules are associated with rigor and austerity.
The different images and essays that unfold on each other, within the greatest series of engraves, evoke a very specific mathematical seduction: beauty, quality, distinction of what stands with science and engineering. There is synthesis, refinement and excellence. The subject, we recognize, it is beautiful.
At this time, the economy of means and extensions seems to call for a Suprematism reminder: black on white, black on black, white on white, planes with planes, contours with contours. This Malevich combination, gives clues, perhaps, of a spiritual dimension of the geometry - and of art itself.
But, there may be a topic even more interesting, that doesn’t decouple much from these firsts. These pictures are about, perhaps, experimentation, or, even more than that, they comment on how the experimentation, trials and inquiries about what a language can offers leads this language to its own limits or beyond. If a print depends on an engraving matrix, what happens when this matrix is ​​independent of ink? What happens when the matrix only transfers its volume and thickness to the paper? And if the matrix, covered in paint, does not contain a drawing for tinting, no drawing beyond the plane itself and its own outline? Or more, what if the matrix, covered with ink again, starts to backslide on its own spot?
Karen Axelrud tests, in these small series, what the metal engraving wants and can accomplish. Are there limits in this expansion? Until when the engraving resists as an engraving? Perhaps, it is the self-consciousness that is at stake.
Eduardo Veras
Professor of the Arts Institute, UFRGS
Porto Alegre, 2016



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